sábado, 16 de novembro de 2013

NÃO EXISTE DIA RUIM!

Não existe dia ruim. Sempre há chance do dia ser feliz. Mesmo que seja tarde. Mesmo que seja de madrugada. Uma gentileza salva o dia. Um bife milanesa salva o dia. Uma gola branca e engomada salva o dia. Uma emoção involuntária salva o dia.

Nunca o dia está inteiramente perdido. Não devemos acreditar que uma tristeza chama a outra, que se algo acontece de errado tudo então vai dar errado. Lei de Murphy não foi aprovada pela Câmara dos Deputados.

Confio no improviso, na casualidade, no movimento das cortinas na janela.

Até o último minuto antes da meia-noite, você pode resgatar o contentamento. É uma gargalhada do filho diante da papinha, transformando a cadeira num imenso prato. É algum amigo telefonando para confessar saudade. É sua mulher procurando beijar a orelha mandando sinais de seu desejo. É o barulho da chuva na calha, é o estardalhaço do sol na varanda. É encontrar - iniciando na tevê - um filme que adora e já assistiu cinco vezes. É oferecer colo ao seu gato. É planejar uma viagem de férias. É terminar um livro que abandonou pela metade. É ouvir sua coleção de LPs da adolescência. É comprar uma calça jeans em promoção. É adormecer no sofá e receber a coberta silenciosa de sua companhia. É a possibilidade feminina de passar um batom e pintar as unhas. É a possibilidade masculina de devolver a bola quando ela sobe a cerca num jogo de crianças

A felicidade é pobre. A felicidade precisa de apenas um abraço bem feito.

Sigo esperançoso. Não coleciono tragédias. Sofro e apago. Sofro e mudo de assunto, abro espaço para palavras novas, para lembranças novas.

Vejo o esforço da abelha tentando sair do vidro, e não sou melhor do que ela. Vejo o esforço da formiga carregando uma casca de laranja, e não sou melhor do que ela. Viver é esforço e nos traz a paz de sonhar – querer não fazer nada é que cansa.

Não existe dia que não ganhe conserto. Não existe dia morto, dia de todo inútil.

Não desista da alegria somente porque ela se atrasou. Pode ter recebido esporro do chefe, ainda assim a hora está aberta. Comer um picolé de limão é capaz de restituir sua infância.

Não encerre o expediente com o escuro do céu. Pode não ter grana para pagar as contas e ter que escolher o que é menos importante para adiar, ainda assim é possível se divertir com o cachorro carregando seu chinelo para o quarto.

Quando acordo com o pé esquerdo, sou canhoto. Não existe dia derrotado.



Fonte: Fabrício Carpinejar

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Vamos falar sobre medo?


Nem toda resposta ansiosa por parte da criança proveniente de algum medo,  pode ser considerada patológica. De acordo com a bibliografia científica o conteúdo dos medos ao longo do desenvolvimento das crianças e dos adolescentes pode estar relacionado a questões normais de cada faixa etária. 

Segue a baixo os medos mais frequentes de acordo com o estágio evolutivo:

* Do nascimento aos 06 meses: perda do contato físico com a mãe e ruídos intensos.

* Dos 07 aos 12 meses: pessoas ou situações estranhas e ansiedade de separação.

* Dos 02 aos 03 anos: medo de animais.

* Dos 03 aos 06 anos: medo de escuro, tormentas, criaturas imaginárias e perda de entes queridos. 

* Dos 06 anos 10 anos: preocupações acerca de dano físico, de perigos e da escola.

* Dos 10 aos 12 anos: preocupações a respeito das amizades.

* A partir dos 13 anos: preocupações a respeito de relações com o sexo oposto, independência e planos de vida. 


Fonte: PETERSAN, Circe; WAINER, Ricardo. Terapias Cognitivo-Comportamentais para crianças e adolescentes. 

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Violência na TV --> Violência na VIDA REAL: Há relação?


Um rapaz de 15 anos foi julgado por ter atirado uma bomba, fabricada por ele, em seus professores declarando que teve a ideia assistindo televisão. Outro menino se atirou da janela de um edifício, porque achava que poderia voar como Batman. Estas e outras histórias reais nos levam a pensar sobre a influência da mídia televisiva sobre o comportamento dos indivíduos.
Nunca se assistiu a tanta violência na televisão como nos dias atuais, ela está em tudo: desenhos animados, noticiários, filmes, novelas e seriados. Isto se torna ainda mais preocupante ao considerar que hoje em dia os meios de comunicação se tornaram os principais modelos para crianças e jovens. A televisão se transformou em uma espécie de babá de crianças, gerando uma série de consequências para seus desenvolvimentos.
Em muitos casos a televisão chega a substituir algumas das principais funções dos pais, como distrair a criança, acalmar, ensinar e ser exemplo. Segundo o resultado de diversas pesquisas crianças que passam muitas horas em frente à televisão durante a infância, em comparação com as que assistem menos TV, apresentam mais chances de desenvolver uma personalidade violenta, além de sentirem mais emoções negativas do que as outras.
A violência na Televisão é enfeitiçadora e inesquecível. Isto significa que uma cena que dura poucos segundos e contém violência, pode ser recordada após muito tempo, mais do que qualquer outra cena da história. A violência possui uma mensagem muito contagiosa, e produz frequentemente um efeito direto no comportamento de quem a assiste.
         Além de afetar o comportamento do espectador que assiste conteúdo violento na televisão, as crenças e valores também acabam sendo prejudicadas. Como exemplo disso, podemos pensar que, em geral, crianças que assistem muita violência na televisão apresentam mais medo da violência no mundo real do que as outras. Junto com isso, o excesso de tempo na frente da TV também é prejudicial na questão da alimentação, aprendizado, desempenho em atividades físicas e obesidade infantil.
           Percebe-se então que a violência na televisão produz violência na vida real, pois a violência retratada faz aumentar o grau de tensão social e estimula jovens e crianças a reagir com agressividade quando estão enfrentando alguma dificuldade, afinal principalmente as crianças, costumam imitar o que veem, seja estes comportamentos positivos ou negativos.  No entanto, isto não indica que a violência na televisão seja a única fonte de agressividade ou de comportamento violento entre as crianças e adolescentes, mas sim, que exerce uma contribuição negativa bastante significativa.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O BRINCAR em Terapia Infantil!


As estratégias lúdicas são necessárias para criar as condições de ocorrência e observação das consequências de comportamentos-problema na sessão terapêutica. A criança, em geral, não apresenta um repertório bem elaborado de descrição e análise das ocorrências de sua vida que as possibilite de FALAR sobre o que lhe incomoda, desta forma, a situação de brincadeira permite ao terapeuta entrar em contato com os problemas da criança. Além disso, alguns autores apontam os benefícios da utilização dessas estratégias na terapia infantil, como por exemplo:

* É um meio de se estabelecer vínculo entre a criança e o terapeuta, fundamental para o bom andamento da terapia; 

* Visam alterações comportamentais previamente planejadas, como: aprender determinados comportamentos ausentes em seu repertório, aumentando a freqüência das interações positivas e diminuindo as negativas; ensinar a criança a seguir instruções; tolerar frustrações; controlar impulsividade; manter um comportamento organizado; desenvolver valores como honestidade, confiança, comportamento pró-social; desenvolver a comunicação, emissão de comportamentos criativos e de leitura, soluções originais de problemas e visão crítica da realidade;

* A criança é levada a relatar sobre seus próprios padrões comportamentais e de seus familiares sem desaprovação ou crítica, facilitando a aquisição de padrões comportamentais mais adaptativos e o desenvolvimento do autoconhecimento. 

Fonte: Terapia infantil e treino de pais em um caso de agressividade. Lorena Archanjo de Souza Emidio. Michela Rodrigues Ribeiro. Ana Karina C. R. de-Farias.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

PRÉ-OCUPAÇÃO!

"Não há nada que desgaste mais o corpo do que a preocupação". Mahatma Gandhi


Uma psicóloga falando sobre gerenciamento do estresse em uma palestra levantou um copo d’água. Todos pensaram que ela perguntaria “Meio cheio …ou meio vazio?”. Mas com um sorriso no rosto ela perguntou:


“Quanto pesa este copo de água?”



As respostas variaram entre 100 e 350g. Ela respondeu: 



“O peso absoluto não importa. Depende de quanto tempo você o segura. Se eu segurar por um minuto, não tem problema. Se eu o segurar durante uma hora, ficarei com dor no braço. Se eu segurar por um dia meu braço ficará amortecido e paralisado. Em todos os casos o peso do copo não mudou, mas quanto mais tempo eu o segurava, mais pesado ele ficava”. 


Ela continuou: 


“As situações inacabadas, o estresse e as preocupações da vida são como aquele copo d’água. Eu penso sobre eles por um tempo e nada acontece. Eu penso sobre eles um pouco mais de tempo e eles começam a machucar. E se eu  penso sobre eles durante o dia todo me sinto paralisada, incapaz de fazer qualquer coisa”. 



 Então lembre-se de “largar o copo de suas pré-ocupações quando estas não equivalem a importância que recebem”.

domingo, 29 de setembro de 2013

"Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre"


Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa. Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.

Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o pai, a mãe, perder emprego ou ficar pobre. Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos. 

Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo! Sem fogo o sofrimento diminui.  Com isso, a possibilidade da grande transformação também. 

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada para ela.

A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM!

E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado

Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar.Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura. No entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras a vida inteira. 

Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva. Não vão dar alegria para ninguém.

Fonte:
Rubem Alves
Do livro: "O amor que acende a lua"

sábado, 28 de setembro de 2013

Histórias Terapêuticas!

Algo para pensar, refletir e servir como sugestão para ser utilizado das mais diversas formas: em terapia, como tarefa de casa para a "família", em sala de aula com as crianças, no ambiente organizacional, etc. 

Você acredita que uma uma história terapêutica tenha o  
poder de transformar?




Todas as histórias são potencialmente terapêuticas. Se uma história nos faz rir ou chorar, ou ambos! – o riso e a lágrima podem ser curadores. As histórias folclóricas ou contos de fadas, através de seus temas e resoluções universais, apresentam possibilidades curativas. Eles podem oferecer esperança e coragem para lidar com adversidades da vida, afirmando nossa capacidade de desenvolver e de mudar.
A simples experiência de ouvir uma história, não importando seu conteúdo, pode ser “curativa”. Sessões regulares de narração de histórias podem desenvolver a concentração das crianças, e podem ativar sua imaginação. Estes efeitos são um bálsamo curativo às crianças no mundo de hoje, quando frequentemente despendem muitas horas na frente da TV e DVDs. Uma história requer e estimula a criação imaginativa de vivências internas, enquanto os meios acima citados apresentam imagens fixas, pré‐criadas que tem que ser aceitas pelo expectador sem evocar sua própria capacidade de criação.
Concomitantemente a este potencial curativo genérico das histórias, determinadas histórias podem ajudar ou curar situações especificas de comportamento. “São as chamadas histórias ‘terapêuticas”.
Se a definição de curar é a de restaurar, retornar ao equilíbrio, tornar‐se harmonioso e inteiro, então histórias terapêuticas podem ser descritas como histórias que devolvem a harmonia de uma situação que se encontra em desequilíbrio.
História terapêutica é um modo delicado, fácil e efetivo de atingir comportamentos indesejáveis das crianças. A forma da história permite que a criança “embarque” numa viagem imaginativa, ao invés de ser admoestada diretamente por ter se comportado de modo inadequado. Através da identificação ao personagem principal ou de outras características, a criança se fortalece e pode superar obstáculos e alcançar resoluções.
Histórias são como medicação natural, e sendo assim, elas ativam forças latentes e capacidades de restabelecer o equilíbrio. Às vezes, do mesmo modo como há uma relutância em aceitar medicina homeopática, o mesmo acontece na aceitação destas histórias, pois as mentes intelectuais encontram dificuldade em admitir que um meio tão simples possa ser eficaz.
Felizmente esta situação vem se alterando aos poucos. Há um movimento bem atual de reavivar o poder das histórias, formado por pensadores educacionais, pesquisadores, professores.
Há uma esperança que mais e mais professores e pais trabalhem com este tema tão revigorante e poderoso, guiando as crianças em seus ambientes sociais, dando apoio à capacidade da criança relacionada à sua imaginação.


Adaptado de trecho do livro de Susan Perrow, “Therapeutic Storytelling, 101 healing stories for children”, Hawthorn Press, Reino Unido. Tradução: Sílvia R. Jensen